Slow down

Já ouviu falar nos movimentos slow?

Se o ritmo acelerado em que vivemos, comemos, produzimos e compramos já incomodou você alguma vez, este post pode interessar você.

Esse movimento surgiu em contraposição ao conceito “fast food”, no seu sentido mais amplo de padronizar para ganhar em velocidade e tempo. Muito além da comida, o ritmo rápido se alastrou para diversas áreas de nossas vidas e substituiu o conceito de qualidade por quantidade. Já parou para pensar que o “quanto mais melhor” vale tanto para sua mesa, quanto para o seu guarda-roupa ou o seu currículo? Isso sem mencionar o campo dos relacionamentos…

Slow Food, Slow Fashion, Slow Design, Slow Travel, Slow Money, Slow Parenting. Comida, moda, design, turismo, dinheiro, criação dos flihos: já são várias as áreas em que existe uma conscientização e um esforço para desacelerar em busca de mais qualidade de vida para esta e para as próximas gerações. Desta vez, eu gostaria de aprofundar em um tema em especial, o “Slow Fashion”, dando continuidade a algumas reflexões que eu fiz sobre como ter uma relação mais saudável com a moda. Mas, antes disso, existem alguns pontos em comum entre as diferentes áreas que o movimento slow acontece e que eu gostaria de pontuar.

Para se ter mais tempo, seja para degustar um bom prato ou para curtir um passeio com calma, é preciso abrir mão de outras possibilidades. O dia não vai ter mais que 24h, mas você pode escolher o que fazer nelas. Para desacelar é preciso renunciar. E, para isso, é preciso saber quais são as suas prioridades e se dedicar a elas. Esteja realmente presente aonde estiver. Deixe seu lado multitarefas em standby.

Indo mais devagar é possível apreciar mais o caminho e ainda poupar combustível. O “slow” propõe a sustentabilidade de uma forma mais abrangente. Reduzindo a velocidade podemos poupar os recursos naturais e ainda ganhar em qualidade de vida. Nosso corpo, nossa mente e nosso planeta podem ganhar com isso.

Na teoria, parece perfeito, mas será que dá para colocar isso em prática sem se mudar para uma comunidade hippie, no meio do nada? E, importante, será que existe espaço para esse tipo de pensamento no mercado atual?

O ritmo mais devagar tem ganhado cada vez mais adeptos, tanto no momento do consumo, quanto da produção. Apesar de parecer mais fácil aplicar estes conceitos nos nossos momentos de lazer, já tem muita gente que já está colocando-os em prática no trabalho. No Slow Design*, por exemplo, propõe-se mais tempo para pesquisar, experimentar e criar um determinado projeto, levando em conta quem irá utizá-lo, como e quais as consequências da sua produção e posterior descarte. Não se trata apenas de produtos físicos, mas também da reestruturação de processos, experiências e serviços visando um bem-estar duradouro.

Manifesto Slow retirado do blog: Fashionistas Gracas a Deus

E, falando em durar mais, tem coisa mais perecível que a moda? É… É hora de encarar o desafio. Uma indústria que programa a obsolescência de seus produtos para de uma a duas estações. Seu ritmo de transformação é veloz e, mesmo aqueles que se dizem imunes, acabam sendo afetados pelos padrões que ela impõe. O fashion de hoje pode ser o brega de amanhã, e vice-versa. Sedutora, a moda traz a ilusão do novo, capaz de diferenciar em um primeiro momento, mas que pouco tempo depois iguala coloca no mesmo patamar grande parte dos seus consumidores. A moda é movida pela constante “necessidade” de mudar. Um ciclo de desejos que não tem fim. Ou será que tem?

O “Slow Clothing Movement” surgiu como uma reação às produções de moda em massa e propunha como alternativa a criação artesanal de roupas. Desde que foi criado, em 2007, o conceito já evoluiu bastante e ganhou novas interpretações. De acordo com o Portal EcoD**, ‘o Slow Fashion é como buscar uma nova ótica sobre essas “necessidades”. Reestruturar o objetivo da moda e receber essas mudanças de estilos sazonais de maneira responsável, ponderando o contexto sócio-ambiental e subsidiando a ética com o consumidor.’

O Slow Fashion não vai contra as tendências da moda, mas sugere uma utilização mais consciente dela e o alongamento dos ciclos de seus produtos. Vou tentar apontar aqui caminhos nessa direção (alguns eu vi em sites de referências, outros eu mesmo tomei a liberdade de acrescentar):

Susttenta Vida: roupas feitas de malha PET: http://www.susttentavida.com.br/

Asta: cooperativa de artesãos que segue os princípios do comércio justo http://www.redeasta.com.br

Slow Design Award: http://www.slowfashion.at

Tênnis Nike personalizado de acordo com o look: http://www.descolex.com/2011/01/nike-id-generator-pimp-my-kicks/

  1. Escolha por produtos que durem mais tempo e que causem menos danos ao planeta, através, por exemplo, da utilização de materiais reciclados ou da eliminação de procedimentos como lavagem e tingimento na produção. Além disso, dê preferência por empresas que seguem o Fair Trade principles, ou princípios do Comércio Justo.
  2. Evite ou boicote  as grandes redes, chamadas de AKA “Fast-Fashion” ou “McFashion”. Procure se informar sobre a cadeia de produção que está por detrás delas.
  3. Planeje suas compras. Só vá às lojas quando já tiver em mente o quevocêrealmente precisa, note que precisar é diferente de desejar.Escolha produtos que combinem com as peças que você já tem no guarda-roupa e com o seu estilo. Muito cuidado com as armadilhas da liquidação para não ter roupas encalhadas mais tarde.
  4. Passe longe das vitrines e da revistas de moda. O que os olhos não vêem, o coração não sente (nem o bolso). Fique longe da tentação.
  5. Seja cauteloso. Alguns looks passam anos fora de cena e, de repente, voltam. Será que vale a pena investir neles? Talvez seja mais seguro aguardar um pouco mais e ver se você realmente o utilizará e por quanto tempo.
  6. Invista nos “clássicos”. O próprio nome já diz que eles nunca saem de moda, embora possam ganhar novas leituras.
  7. Aposte nos básicos. Cores e modelos que combinam com tudo certamente serão muito mais utilizados.
  8. Ouse nos acessórios. Brincos, colares, bolsas, cintos, óculos e até chapéus. Eles podem renovar um visual e trazer mais personalidade.
  9. Saia da rota. Peças artesanais, que valorizam a cultura local, são produzidas em menor escala e ganham cada vez mais espaço para quem quer algo diferente.

    O bazzar de trocas de roupas virou um grande evento nos EUA: http://swaporamarama.org/

  10. Customize. Quer algo realmente com a sua cara? As boas costureiras particulares estão de volta aos holofotes para criar roupas sob medida e do seu jeito. As grandes empresas também estão apostando no design único. E, se quer ainda mais personalizado: faça você mesmo!
  11. Reforme. Um vestido antigo pode se transformar completamente nas mãos de uma boa costureira e você não corre o risco de encontrar alguém igual a você naquela festa.
  12. Reutilize. Peças vintage ou de segunda mão? Por que não? Você pode levar para casa grande achados seja nos bazares tradicionais ou online, que vem ganhando cada vez mais força.
  13. Troque. Venda. Doe.A roupa não serve mais ou você não há utiliza faz tempo? Pra que ficar com ela ocupando espaço no seu armário, se ela pode ser utilizada por outra pessoa? Faço o círculo girar. Novamente, a internet pode ser um ótimo canal para isso. Outra alternativa é reunir os amigos e conhecidos para uma “venda na garagem”.

    Bazzar de trocas da Revista Estilo pelo Facebook: http://revistaestilo.abril.com.br

  14. Dê preferência a marcas que se preocupam com a saúde e bem-estar de seus modelos e consumidores. Anorexia é uma doença enão padrão de beleza.
  15. Compre menos com cada vez mais frequência. Estaleça algumas metas para você mesma.
  16. Prefira qualidade à quantidade.trabalhacom moda

Bem, dava para falar muito mais aqui sobre os movimentos slow. Pretendo ainda aprofundar em outros temas. Mas o importante é percebermos que atitudes simples que podem fazer a diferença no nosso dia-a-dia, desacelerando nosso nível de estresse e de destruição do meio ambiente. Com diz o ditado: devagar, se vai longe.
Gostou do post? Tem alguma sugestão para fazer? Comente e compartilhe ;)

*Slow design: http://www.slowdesign.org/slowdesign.html

**Slow fashion: http://www.ecodesenvolvimento.org.br/noticias/slow-fashion-a-moda-pelo-respeito#ixzz1cOMxnY3E

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5 pensamentos sobre “Slow down

  1. disse:

    Conhece o livro “Devagar” do Carl Honoré (2005)?
    (se quiser te empresto!)

    É muito interessante pra compreender nossa pressa e traz as bases do “slow movement”. Tem vídeo dele no TED tbm!!!

    Bjs

  2. Vanessa de Sa disse:

    Sucesso Dani!

  3. Helena disse:

    Amei o post! Ou diria, artigo? Muito bom. Estou nessa tentativa de diminuir os gastos com roupa…estou há 9 meses sem comprar sapato e 3 meses sem comprar roupa. E não estou sentindo a menor falta!

  4. Dani Brandão disse:

    Obrigada, meninas!

    (Helen, é como outras coisas, quanto menos você faz, menos falta sente de fazer! rsrs)

  5. […] Mortara, dividiu com a gente um pouco do que sabe sobre o ‘”Slow Food”, um dos Movimentos Slow que já abordei neste blog. E agora a pausa merecida é para compartilhar com vocês o que […]

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