Arquivo da categoria: Pra sentir

Imperfeita

AzulejosA poesia vive na imperfeição
Beira o torto, sai da linha

É a quebra de padrões
Erro calculado ou acidental

É feio que se transforma em belo
O diferente, a pausa

É palavra com vida própria
Que recusa a se enquadrar

Que graça tem seguir a linha?
Ser vai com as outras
Quando se pode reinar
Sozinha?

(Foto de Ricardo Moura)

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Mãe

Sem aviso, eu fui chegando.
Me aninhando no seu ventre.
Te chamando de casa.

Sem pedir licença, eu fui crescendo.
Transformando o seu corpo.
Te fazendo minha.

Sem dizer tchau, eu fui saindo.
Conhecendo a luz, as cores, os sons.
Te embalando nos meus sonhos.

Sem marcar hora, eu fui andando.
Enxergando novos horizontes.
Te tendo como espelho.

Sem esperar, eu fui voando.
Dando asas à saudade.
Te levando na bagagem.

Agradecida, eu fui seguindo.
Aprendendo cada vez mais.
Te amando sempre.

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E se chover?

gotas
Poças vão se refazer.

Gostas vão se esbaldar.

Mágoas vão se dissolver.

Ombros vão se encontrar.

Amigos vão se acolher.

Amores vão se deixar molhar.

Dias de Chuva

No espaço de um guarda-chuva.

Circulam passos, pressa, cuidado.

E o abraço do casal apaixonado.

 

guardachuvas

Cansei

Chega de vc e bj…
Não quero viver abreviações.
Eu quero você por inteiro.
Quero esse beijo por completo.

 

 

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de volta

um sorriso no olhar veio me chamar

chegou assim, bem de mansinho

bateu no meu peito com todo carinho…

já era hora de acordar

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Saudade

Seu cérebro avisa que o mundo não tem fronteiras.
Uma hora é você que tá do lado de lá.
Feliz pelos novos amigos, novas experiências, novos amores.
Seu coração avisa que ele, sim, tem seus limites.
Bate apertado ao lembrar de quem ficou distante.
De repente, você está de volta.
Mas ela continua lá.
Saudade que dá nó na garganta.
Outra parte de você ficou para trás.
Você diz a ela que se aquete.
Vai seguindo em frente.
Até que o próximo ‘até logo’ chegue.
É hora de outro alguém fazer as malas.
E ela pulsar ainda mais forte no seu peito.

 

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De mim

Suavemente, elas vão se transformando.
O pretinho básico da noite vai se despedindo.
Em ritmo de degradê, um azul bem claro vai sendo vestido.
Sua sutileza é interrompida por uma explosão de amarelos, rosas e vermelhos.
O sol veio me acordar. É muito cedo, mas eu não me importo.
O espetáculo se reflete e se multiplica sob as lâminas d’água.
A brisa completa o bom dia, me faz querer voltar pro aconchego das mantas.
Um abraço se antecipa. Me envolve por completo.
É tudo azul novamente.
Não existe mais ninguém ali, tão pouco no mundo.
Somos só nós dois. E as cores.
Sem pente, sem espelho e sem neuras.

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Preciso

Por que nossos desejos não podem ser precisos?
Precisos, como os ponteiros de um relógio suíço.
Precisos, como a fita métrica da vó costureira.

 

336g de chocolate para despachar a tensão.

58 minutos de papo com as amigas para me sentir eu.

1,81m para viver um novo amor.

1 abraço e 1/2 para trazer à tona segredos e recordações.

29 letras recombinadas em novo idioma para ganhar o mundo.

220w e 4 passos de dança para passar a noite em claro.

1 vestido novo, 1 tarde no salão e 1 batom vermelho para me sentir linda.

365 páginas para escrever aquela nova vida.

 

Preciso.

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Matizes

“Uma pequena teoria

As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa. Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.

No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.”

Trecho de ‘A Menina que Roubava Livros’,
de Markus Zusak

Se eu disser que não sou fã dos momentos que o sol nasce e se põe, estaria mentindo. Já presenciei vários, já tirei fotos, já guardei na memória. Até aplaudir, eu já fiz. O que não dá pra fazer é perder os espetáculos que as cores nos oferecem nos períodos entre esses dois eventos.

(Foto retirada do site: wallcoo.net)

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