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O fascínio das Mandalas

Sempre fiquei intrigada com algumas manifestações artísticas que se repetem em povos completamente distintos. E falo de algo que vem de muito antes dessa história de globalização. Criadas com diferentes intenções, as mandalas estão presentes em todos os cinco continentes. Na Europa, estão nas rosáceas dos vitrais  coloridos de catedrais milenares. Na América, temos os misteriosos calendários Maias. Na Ásia, as mandalas utilizadas para meditação pelos monges tibetanos. Na África, as rituais danças circulares. E, na Austrália, as mandalas produzidas pelos aborígines. Isso, só para citar alguns exemplos.

 

Rosácea, catedral européia

 

Calendário Maia

 

Mandala Tibetana

 

Mandala, aborígenes australianos

 

Danças circulares africanas

A origem da palavra ‘mandala’ vem do sânscrito e o seu significado oscila entre “o círculo mágico”, “o mistério”, “conter a essência” e “mundo inteiro”. São diferentes interpretações que se completam, mostrando um desejo de representar a completude da vida, que vai muito além do visível e do compreensível. Em termos de forma, podemos dizer que uma mandala é uma figura geométrica que tem seu traçado feito ao redor de um centro, geralmente, obedecendo eixos de simetria.

Mandala em mosaico

Exatamente quando as primeiras mandalas começaram a ser criadas eu não sei. Mas me interessa bem menos o quando elas aconteceram, que o porquê elas foram feitas. O que une todas elas? Seria algo genuinamente humano, que independe de clima, vegetação e cenário cultural? Estariam ligadas a algum instinto ou alguma essência? Seriam alguma manifestação sagrada? Ou teriam começado a partir de elementos da natureza?

De fato, a forma de mandala pode ser percebida em diversas manifestações da natureza, como flores, teias de aranha, caracóis, o olho humano, o sistema solar, seus astros e planetas. A própria explosão que deu origem ao universo já era uma mandala. Mas, a forma como o homem cria mandalas, não se restringe a reprodução do que acontece no meio ambiente.

Além dos temas ligados à natureza, as mandalas podem conter formas geométricas, representações humanas,  temas religiosos, desenhos abstratos, entre muitas outras possibilidades. A história das mandalas reflete muito sobre  a evolução da a cultura e das arte nas sociedades. O trabalho com a cor, o uso de diferentes materiais e técnicas já produziu muitas obras-primas. Como objetos artísticos ou decorativos, as mandalas servem para ser contempladas. Mas sua função vai muito além disso.

Mandala de Al Andaluz

A ligação das mandalas com as religiões é forte. Elas estão presentes nas mais tradicionais delas. No Cristianismo, as mandalas são utilizadas como elementos arquitetônicos através dos vitrais que citei anteriormente. No Judaísmo, a estrela de Davi é considerada uma mandala. No Hinduísmo, um dos quatro textos sagrados, chamado de Vedas, contém mandalas. No Islamismo, belas mandalas ornam as cúpulas de mesquitas. E, no Budismo, a mandala é um símbolo sagrado que auxilia na meditação e na busca da harmonia. Para os budistas, o ritual de fazer e oferecer uma mandala feita de areia colorida – que irá se desfazer com o tempo – é um ato de desapego, gratidão e reconhecimento.

 

Mandala monges budistas

Muito já se provou sobre a influência da fé no nosso bem-estar. No entanto, a mandala não precisa estar necessariamente associada à religião para trazer benefícios para o corpo e a mente. Uma observação mais atenta às mandalas é um convite à introspecção. Através dela, é possível desacelerar a mente, se distanciar dos problemas imediatos, reorganizar os processos mentais e alcançar mais equilíbrio.

Quem busca um efeito ainda mais transformador pode experimentar construir suas próprias mandalas. O criador da Psicologia Analítica, Jung, comprovou o efeito de cura deste processo, transformando-o em um método psicoterapêutico. Desenhando ou colorindo mandalas, é possível resolver problemas que, muitas vezes, nem temos consciência.

Além de tudo isso, o Feng Shui, que busca a harmonização dos ambientes utiliza mandalas para equilibrar as energias. O próprio mapa de harmonia, ou “ba-gu”, utilizado nessa prática chinesa já é uma mandala. As cores e a localização das mandalas podem potencializar desejos como:

Mandala do amor / Relacionamento:
Cores: Rosa Vermelho e Branco.
Disposição preferencial: Colocar virada para o quarto, num local onde o sol incida por volta das 16:00h, ou por cima da cabeceira da cama.

Mandala da Prosperidade:
Cores: Vermelho, dourado, laranja, azul real (cores de opulência).
Disposição preferencial: Na sala de jantar, virada para onde está o sol perto das 9:30h da manhã.

Mandala da Saúde / Harmonia:
Cores: Verde e motivos florais de qualquer cor.
Disposição preferencial: Divisão da casa que recebe os primeiros raios de sol.

Mapa da harmonia

 

Afinal, as pessoas criam mandalas para reproduzir a natureza, para liberarem seu potencial artístico, para se conectarem com o sagrado ou consigo mesmas? Talvez a razão seja a soma de todas essas possibilidades ou, mesmo, eu não tenha nem chegado perto dela. Não tenho a pretensão de fechar nenhuma conclusão. O assunto é vasto e eu não sou nenhuma estudiosa do assunto. Sou apenas uma mera apreciadora que gostaria de compartilhar com você a minha paixão pela arte das mandalas.

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os ipês

 

lindos e efêmeros

mal chegaram, já estão se despedindo

talvez se estivessem sempre lá, poucos os notariam

.

peraí, e não é que eles já estavam ali antes

quase invisíveis, camuflados na paisagem

galhos secos ensaiando para seu espetáculo anual

.

e eis que suas flores chegam

ou melhor, estreiam

atraem para si todos os olhares

para, em seguida, sairem de cena

.

será a brevidade um dos segredos do seu fascínio?

.

fascinantes também são as suas cores

amarelos que contrastam com o anil do céu

rosas que interrompem o cinza da rotina

.

são convites

para ver além

para se viver o belo

e para praticar o desapego

 

 

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De mim

Suavemente, elas vão se transformando.
O pretinho básico da noite vai se despedindo.
Em ritmo de degradê, um azul bem claro vai sendo vestido.
Sua sutileza é interrompida por uma explosão de amarelos, rosas e vermelhos.
O sol veio me acordar. É muito cedo, mas eu não me importo.
O espetáculo se reflete e se multiplica sob as lâminas d’água.
A brisa completa o bom dia, me faz querer voltar pro aconchego das mantas.
Um abraço se antecipa. Me envolve por completo.
É tudo azul novamente.
Não existe mais ninguém ali, tão pouco no mundo.
Somos só nós dois. E as cores.
Sem pente, sem espelho e sem neuras.

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Matizes

“Uma pequena teoria

As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa. Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.

No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los.”

Trecho de ‘A Menina que Roubava Livros’,
de Markus Zusak

Se eu disser que não sou fã dos momentos que o sol nasce e se põe, estaria mentindo. Já presenciei vários, já tirei fotos, já guardei na memória. Até aplaudir, eu já fiz. O que não dá pra fazer é perder os espetáculos que as cores nos oferecem nos períodos entre esses dois eventos.

(Foto retirada do site: wallcoo.net)

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