Arquivo da tag: #piquenique

Buon appetito!

Tolha xadreza, cesta de vime e grama fofinha.
Do que é feito um piquenique? Você ainda se lembra?
Algumas pessoas já se esqueceram. Outras (pasmem) nunca tiveram o prazer de fazer um.
Falta de tempo, de espaço ou de costume?
Fato é que ele tem se tornado cada vez mais raro.

Para um bom piquenique, muito mais do que toalha e cesta, o que não dá para faltar é a disposição para curtir e compartilhar. E não digo no sentido moderno e efêmero desses dois verbos. Disposição para curtir  – apreciar ou degustar – os sabores e as texturas de uma boa comida, a beleza do ambiente ao seu redor, a riqueza de uma conversa sincera. Disposição para compartilhar – doar ou dividir – estes momentos com pessoas que você considera especiais.

Há duas semana atrás, eu tive a chance de dar um pause na rotina para um piquenique especial. O “Piquenique Slow Food” foi um evento de encerramento da Hub Escola de Primavera. Lá pude trocar experiências e descobrir novos sabores. Sim, alimentos orgânicos podem ser bem gostosos. Curti! E o anfitrião e amigo, Paulo Mortara, dividiu com a gente um pouco do que sabe sobre o ‘”Slow Food”, um dos Movimentos Slow que já abordei neste blog. E agora a pausa merecida é para compartilhar com vocês o que recebi.

Na Itália, aonde mais poderia surgir tal movimento? O país em que o prazer de comer ainda sobrevivi (e aqui não consigo deixar de lembrar das palavras de  Elizabeth Gilbert em “Comer, Rezar e Amar”, mas não vamos perder o fio da meada). A associação fundada pelos italianos, em 1989, propaga mais do uma mudança no ritmo de consumo e produção da comida. Além do fast food, ela se opõe ao fast life. Vai contra a aceleração e padronização de produtos e comportamentos, valorizando, para tanto, a cultura local e um uso mais apurado dos nossos sentidos.

Além disso, ter consciência dos processos que envolvem o ato de comer e de suas consequências é um passo fundamental para escolhas mais conscientes. Uma das coisas que o Paulo comentou que me marcou foi sobre a desassociação atual entre a comida e sua origem. Algumas crianças que vivem na cidade nunca viram de perto uma plantação ou uma vaca, por exemplo (pasmem 2). Elas já conhecem os alimentos processados e embalados. Enquanto isso, outros mais crescidinhos parecem ter se esquecido disso.

Para entender melhor esse movimento:

– Um pause para sentir é necessário. O primeiro princípio do Slow Food é o do “BOM”. O sabor e aroma naturais dos alimentos devem ser preservados e apreciados.

– A saúde do consumidor, do produtor e do planeta devem ser respeitadas. O segundo princípio é o do “LIMPO”. Propõe práticas sustentáveis em todo o processo que não poluam ou sobrecarreguem o meio ambiente ou sejam danosas para as pessoas envolvidas.

– Respeitar o trabalho de toda a cadeia produtiva. “JUSTO” é o terceiro princípio do Slow Food. Através de uma remuneração digna para todos os trabalhadores.

A escolha pela alimentação orgânica não, necessariamente, exclui o consumo de carnes, mas a redução deste é recomendada por trazer benefícios para o corpo e o planeta. Mas se você, assim como eu, também acha díficil assumir uma dieta vegetariana, sabia que cortar a carne apenas um dia da semana já pode trazer grandes benefícios. “Segunda sem carne” é uma campanha que já está rolando em São Paulo em parceria com diversos restaurantes e que eu torço para que chegue aqui também.

E, se quiser conhecer mais  caminhos para colocar toda essa teoria em prática, os sites do Slow Food e da Família Orgânica também são boas referências.

Depois de escolhidos os alimentos corretos, é hora de reunir os amigos, esticar a toalha e saborear um delicioso ritual ao ar livre.

(Ah, e pra quem quiser deixar a cor avermelhada apenas para os ingredientes, é bom se lembrar do filtro solar! Eu me esqueci…)

Etiquetado , , , ,