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Imperfeita

AzulejosA poesia vive na imperfeição
Beira o torto, sai da linha

É a quebra de padrões
Erro calculado ou acidental

É feio que se transforma em belo
O diferente, a pausa

É palavra com vida própria
Que recusa a se enquadrar

Que graça tem seguir a linha?
Ser vai com as outras
Quando se pode reinar
Sozinha?

(Foto de Ricardo Moura)

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Poesia condensada

Semanas atrás, o dia foi da poesia. Mas o tempo não quis fazer versos. Só agora estou eu aqui. Pause. Com mais uma coleção fugaz. Arte em poucas sílabas. Ensinamento que veio do Japão. Uma homenagem sutil. Sensibilidade e humor do Brasil.

Millôr Fernandes e seus Hai-Kais:

“Probleminhas terrenos:
Quem vive mais
morre menos?”

“Meu sonho é mixo;
ter a felicidade que
os outros põem no lixo”

“Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos”

“Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a Lua”

“Nada tem nexo
tudo é apenas
um reflexo”

“A vida é um saque
que se faz no espaço
entre o Tic e o Tac”

E pra fechar:

“Goze.
Quem sabe essa
é a última dose?”

 

Simples (?) assim.


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O espetáculo é mágico e não pode parar

Mas a gente dá um pause assim mesmo. Ontem foi dia de “O Teatro Mágico” em Beagá. Dia de poesia, de música, de encantamento, de arte, de fantasia e de surpresas.  Dois dias da criança na mesma semana.  Dia de recuperar a magia da infância e brincar de falar sério.

Brincadeiras com as palavras. Não foi apenas uma vez que elas me fizeram parar e pensar. Algumas delas vou compartilhar com vocês agora.

Também teve momento de deixar o pensamento de altas e apenas pular junto com a multidão ou ficar a admirar as performances com um sorriso no olho. Esses seria em vão descrever aqui.

Coreografia de guarda-chuvas que irão se perder. Mas o replay dela ainda se passa na minha cabeça. Sei que é arriscado, muitos detalhes e sensações serão perdidos, mas vou tentar narrar este momento mágico mesmo assim.

Pra começar uma música criada apartir de uma chuva de palavras vindas de usuários do Twitter. “O que se perde enquanto os olhos piscam” fala sobre as coisas e sentimentos que parecem ter nascido para serem perdidos, como um guarda-chuva.

Também era dia de chuva em Beagá. Mas a casa de show estava protegida das gotas pelo teto. A música começa. Parecia só mais uma (boa) música. Eis que um guarda-chuva é aberto bem no meio da plateia e se fecha meio que sem graça, como alguém que agiu no impulso e logo depois foi tomado pela timidez. Mas a atitude foi inspiradora. E um outro corajoso gosta da ideia e abre seu guarda-chuva com determinação. E mais um. E de um em um novos seguidores vão surgindo.  O local se torna um mar (e quem foi que disse que Minas não tem mar) de guarda-chuvas e sombrinhas de diversas cores e formatos girando e dançando ao som da música.  Lindo, lindo, lindo!

Pode parecer exagero para quem ouve agora, mas foi um destes momentos mágicos e inesquecíveis que só quem esteve presente pode entender. E que só poderia acontecer em um ambiente que estimula a imaginação e que incentiva as pessoas a serem elas mesmas (nem que para isso tenham que usar máscaras).

E como disse o vocalista/compositor/palhaço, Fernando Anitelli , se a gente estava junto lá naquele momento é porque de alguma forma, em algum plano, a gente se merece. Bonito isso, né.

Eu já era fã da banda, agora aplaudo de pé.
Bravo, bravo, bravo!

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