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Uma viagem com 4Ps

na estrada

Mais que conhecer um lugar diferente, viajar é conhecer o diferente que vive dentro da gente. Pra conhecer um pouquinho do Chile e da Bolívia e um pouquinho dessa tal de Dani e desse tal de Ricardo, colocamos nas costas as mochilas, abastecidas de roupas, muitas expectativas e alguns medos.

Fomos de encontro ao primeiro “P”. “P” de paisagens. Muito de uma viagem é aquilo que se vê. Por mais que se tente, nem tudo que se vê pode ser registrado pelas lentes de uma câmera. E olha que tentamos com força, mais de 3.000 fotos em 14 dias. É bastante, né? Fato. Mas é difícil controlar a vontade de querer reter por mais alguns instantes paisagens tão surreais como aquelas.

E o que vimos, afinal? Mesmo sabendo que não serão suficientes, vamos às tentativas das descrições. Uma cordilheira que brinca de esconde-esconde com uma cidade. Um vale nevado, que mesmo sem neve, é de arrepiar. Tesouros escondidos numa aparente cidade favela. O charme de um balneário no Pacífico. Encantos encobertos pela poeira marrom do Atacama. Lugares mais próximos da Lua que da Terra. Aquarelas sob a forma de pôr-do-sol. Lagoas de todas as cores possíveis: azul, verde, branca, castanha, negra e vermelha. Oferendas empilhadas sob a forma de pedras na base de majestosos vulcões com suas pontinhas congeladas. Vapores quentes brotando do chão enquanto a gente congela. Curvas no horizonte formadas por montanhas de todos os tipos. Desertos intermináveis, mas que nada têm de monótonos. Incríveis vales de pedras que vieram de onde mesmo? E para terminar, a imensidão branca em contraste com o céu azul do Salar. É de encher os olhos e transbordar o coração.

"P" de paisagens

Mas viajar é mais do que ver. Tem que provar. Se arriscar em novos sabores. É então que vem nosso segundo “P”. “P” de palta. Palta? É, um tipo de abacate chileno. Ah, abacate, tá.. E a novidade? A novidade é que, ao invés de comer, como sobremesa ou vitamina, lá o abacate é prato salgado. Está presente em tudo: cachorro quente, hambúrguer (até no McDonald’s tem), na salada, com torrada no café da manhã, no sushi, na pizza. Se a gente gostou? Já procuramos até as receitas na internet. A palta foi o símbolo do novo, mas tiveram muitos outros sabores, teve ceviche, arroz com camarão, sorvete delícia, pastel de choclo, humitas, empanadas, “pollo con papas”…

Comidas

 

Tudo parece muitviagemo lindo até aqui. Só que uma viagem de verdade sempre tem esse terceiro “P”. “P” de perrengue. Vamos à lista. Passar frio à ponto de achar que seus dedos vão congelar. Acordar às 3 da manhã para fazer passeios ou pegar voos. Pegar estradinha com mais de 60 curvas, tão acentuadas que mais parecem quinas. Não tomar banho porque não tem chuveiro. Tomar banho gelado e, logo depois, descobrir que tinha banho quente. Ficar em “refúgios” onde só há dois banheirinhos com portas venezianas para mais de 20 pessoas. Passar o dia viajando num jipe não muito confortável. Tomar chá de coca, vitamina C e tudo mais que de recomendarem para evitar a soroche, ou mal da altitude, (o lado bom foi que efeito placebo, ou não, parece ter funcionado). É, nem tudo são flores, nem mesmo quando se está próximo ao paraíso.

Apesar de todos esses perrengues, tem mais um “P” que fez ter tudo valido à pena. Vai soar piegas, eu sei. “P” de paixão. A paixão no seu sentido mais amplo. É se deixar envolver. É de remover nossas barreiras internas. É se deixar encantar pelos pequenos detalhes. Se apaixonar pela sonoridade de um novo idioma, pela capacidade de se comunicar além da língua, pela simplicidade das pessoas, pela arte que colore paredes em meio ao cinza da cidade, pelos trajes e costumes tão únicos, pela sensação de ser tão pequena num mundo tão enorme e surpreendente e, claro, me apaixonar ainda mais por um companheiro que não é só para uma viagem, mas para toda a vida.

Grafite Valparaíso

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O olhar turista

Mais que câmera é preciso lentes internas.
Se afastar do espaço chamado rotina.

O novo pode vir de um ângulo que se acha conhecido.
O belo pode vir do enquadramento que foge do padrão.

Captar paisagens que não cabem em molduras.
Registrar encontros que não se resumem em imagens.

Como bateria, o desejo do  próximo clique.
Como bagagem, uma coleção de novas perspectivas.

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Imagem retirada daqui.

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